A anamnese é o ponto de partida de qualquer processo clínico em psicologia. É nela que você reúne as informações que vão orientar as primeiras hipóteses de trabalho e o plano terapêutico. Mas além de ser uma boa prática clínica, o prontuário psicológico tem exigências éticas e legais claras no Brasil — e ignorá-las pode gerar problemas sérios.
Este guia apresenta a estrutura recomendada para a anamnese clínica e mostra como organizar seus registros no prontuário digital de forma que respeite o Código de Ética do CFP e a LGPD.
A anamnese clínica em psicologia é um instrumento de coleta de dados realizado pelo profissional durante as primeiras sessões. Ela é diferente de um questionário enviado ao paciente — é você, o psicólogo, que conduz, interpreta e registra.
Os dados coletados pertencem ao processo clínico. Eles são sigilosos, protegidos pelo artigo 9º do Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP 10/2000), e só podem ser compartilhados nas situações previstas em lei ou com autorização expressa do paciente.
Uma anamnese psicológica completa normalmente inclui as seguintes seções:
Retenção mínima de 5 anos: segundo a Resolução CFP 001/2009, o psicólogo deve guardar o prontuário por no mínimo cinco anos após o encerramento do atendimento. Para menores de idade, o prazo começa a contar quando o paciente completa 18 anos.
Sigilo profissional: o prontuário é confidencial. Mesmo em plataformas digitais, certifique-se de que os dados estão armazenados com criptografia e que o acesso é restrito a você.
LGPD: dados de saúde são dados sensíveis conforme o artigo 11 da Lei 13.709/2018. O tratamento desses dados exige base legal adequada — que, no contexto clínico, é a execução de contrato de prestação de serviços de saúde, aliada ao consentimento documentado do paciente.
Para um panorama completo sobre LGPD aplicada à psicologia, veja o artigo LGPD para psicólogos: guia prático.
Além da anamnese inicial, cada sessão deve ter um registro. Esse registro não precisa ser extenso, mas deve ser suficiente para que você, ao reler meses depois, entenda o que aconteceu naquele encontro.
Uma boa nota de sessão inclui:
Evite registrar detalhes que o paciente não autorizou a serem escritos. Anote o que for clinicamente relevante, com a linguagem técnica adequada.
Para mais orientações sobre o que avaliar ao escolher um prontuário eletrônico, veja: Prontuário eletrônico para psicólogo: o que avaliar.
Na seção Meus pacientes, ao abrir o perfil de um paciente, você encontra:
Os dados ficam armazenados com criptografia em repouso. Apenas você tem acesso aos registros dos seus pacientes.
Uma anamnese bem feita e um prontuário organizado economizam tempo, reduzem erros clínicos e protegem você e o paciente em caso de questionamentos futuros. E com o suporte digital certo, manter esses registros atualizados se torna parte natural da rotina — não uma tarefa extra.
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