Segurança & LGPD

Segurança e prontuários digitais: como a psip protege o que é mais sensível

Guia psipLeitura de 7 minutosLGPD · CFP · Segurança

Quando uma paciente entra em sessão e compartilha algo que nunca contou a ninguém, ela está exercitando um nível de confiança que poucas relações humanas permitem. Essa confiança se estende — quer queiramos ou não — à infraestrutura digital que sustenta o trabalho clínico. O prontuário guarda o que foi dito. O dado guarda a história. E a forma como esse dado é tratado é, em si, uma decisão ética.

Este artigo explica, sem jargão técnico desnecessário, como a psip foi construída para proteger esses dados — e por que cada decisão de arquitetura tem um motivo clínico ou legal por trás.

Dados clínicos são "dado pessoal sensível" — a LGPD diz isso

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) define, no artigo 11, uma categoria especial chamada dado pessoal sensível. Dados de saúde estão nessa lista. Isso não é detalhe burocrático: significa que o tratamento desses dados exige base legal específica, finalidade declarada, consentimento separado e direitos reforçados para o titular.

Na prática, isso quer dizer que o prontuário de um paciente — inclusive as anotações de sessão que você, psicóloga, escreve no sistema — não pode ser acessado por terceiros, não pode ser cruzado com dados de marketing e não pode vazar sem consequências legais graves para quem falhou na proteção.

A psip foi desenhada levando essa obrigação a sério, não como conformidade de papel, mas como restrição de produto.

"O prontuário guarda o que foi dito. A forma como esse dado é tratado é, em si, uma decisão ética."

Criptografia em repouso e em trânsito

Toda informação armazenada na psip — anotações de sessão, registros de humor, tarefas, respostas do diário — é criptografada em repouso. A infraestrutura roda na AWS (Amazon Web Services), e o armazenamento usa padrões de criptografia com chaves gerenciadas por AWS KMS (Key Management Service).

Em trânsito, toda comunicação entre o navegador do usuário e os servidores da psip é feita exclusivamente via HTTPS com TLS — o mesmo protocolo que bancos usam para proteger transações financeiras. Não existe canal não-criptografado.

Isso garante que, mesmo que alguém intercepte o tráfego de rede ou acesse um disco de armazenamento diretamente, os dados não são legíveis sem as chaves corretas.

Isolamento multi-tenant

Cada psicóloga e cada paciente vivem em um espaço isolado no servidor. O código da psip impõe, na camada de API, que nenhuma requisição pode acessar dados de outro profissional ou paciente — mesmo que alguém tente forjar uma chamada maliciosa. Essa restrição é testada ativamente: há testes automatizados de tentativa de vazamento entre contas que falham o build se encontrarem qualquer brecha.

Suas anotações são privadas por padrão

A funcionalidade "Minhas anotações" foi projetada com um princípio simples: nada chega ao paciente sem que você decida explicitamente que deve chegar. Quando você escreve uma nota de sessão, ela existe somente no seu ambiente de profissional. O paciente não vê, não sabe que existe, e não tem acesso.

Painel 'Minhas anotações — Só você vê isto.' no dashboard do psicólogo
Suas anotações de sessão: "Só você vê isto." — o aviso é parte do painel, não um rodapé de termos. Nada sai daqui sem uma ação sua.

Você pode, se quiser, selecionar partes dessas anotações e liberá-las para o diário do paciente ou para o calendário — como uma nota sobre um exercício combinado, ou um lembrete de um tema que surgiu na sessão. Esse movimento é sempre um ato consciente, nunca automático.

A IA como assistente, não como autor

A psip oferece um assistente de anotação baseado em IA (Claude, via Amazon Bedrock). Ele lê as notas brutas que você escreveu sobre uma sessão e as organiza em cartões estruturados: progresso observado, pontos de atenção, tarefas combinadas, temas abordados e sugestão para a próxima sessão.

Botão 'Organizar anotações' que aciona o assistente de IA
Um toque em "Organizar anotações" e a IA estrutura suas notas em cartões — cada um revisável antes de qualquer ação.

O que a IA produz é uma proposta de organização. Você revisa cada cartão, edita o que quiser, descarta o que não faz sentido e só então decide o que — se algo — vai ao paciente. A IA nunca diagnostica. Nunca classifica condições clínicas. Nunca apresenta seus resultados como fato clínico. Toda saída é rotulada como rascunho assistivo.

Esse modelo existe porque erros de IA em contexto clínico têm peso diferente de erros em outros contextos. O humano-no-loop não é uma limitação temporária — é uma escolha de design que permanece.

Popover com opções 'No diário' e 'No calendário' para liberar anotação ao paciente
Você decide o destino: diário ou calendário do paciente. A liberação é sempre um gesto explícito — nunca automático.
Transcrição automática de áudio

Com o consentimento registrado do paciente, a psicóloga pode gravar a sessão. O áudio é transcrito automaticamente pelo Amazon Transcribe (português brasileiro, com identificação de falantes) e o texto gerado aparece diretamente nas suas anotações privadas — visível apenas para você. A partir daí, o fluxo é o mesmo de qualquer nota: você revisa, edita e decide o que, se algo, é organizado ou compartilhado. A IA nunca diagnostica nem publica nada de forma autônoma.

O áudio original é criptografado e excluído automaticamente após 30 dias (minimização de dados, alinhada à LGPD). O paciente pode recusar a gravação a qualquer momento sem perder nenhum outro recurso da plataforma.

Consentimento para gravação

Quando sessões são gravadas, a psip registra o consentimento do paciente de forma rastreável. O paciente pode recusar a gravação e continuar sendo atendido — nenhum recurso é bloqueado por não consentir. O consentimento é revogável a qualquer momento.

Esse registro existe para proteger tanto o profissional quanto o paciente, e está alinhado com os princípios da Resolução CFP 09/2024 sobre o uso de tecnologias digitais na psicologia.

Direitos do paciente como titular de dados (LGPD)

A LGPD garante ao paciente — como titular dos seus dados — uma série de direitos que a psip implementa como funcionalidades reais, não como promessas:

  • Portabilidade: o paciente pode exportar seus dados (diário, histórico de humor, tarefas) a qualquer momento.
  • Exclusão: o paciente pode solicitar a exclusão da sua conta. O processo está disponível diretamente na área do paciente.
  • Acesso: o paciente vê exatamente o que o profissional liberou para ele — sem surpresas.

O CFP estabelece que prontuários psicológicos devem ser retidos por no mínimo 5 anos após o encerramento do atendimento. A psip respeita essa orientação: a exclusão de dados de pacientes segue regras de retenção mínima compatíveis com essa exigência do conselho.

Tela 'Privacidade e meus dados' na área do paciente, com opções de exportar e excluir conta
O paciente exporta ou exclui os próprios dados quando quiser — sem precisar acionar o suporte.

Segurança em tecnologia não é um estado permanente — é um processo contínuo de revisão, teste e melhoria. O que a psip oferece hoje é uma base sólida, construída com escolhas deliberadas, não com atalhos. E o compromisso de manter essa base atualizada à medida que o produto evolui.

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